Era a puta dela.
Daquela mulher do diabo,
sem terra-à-vista.
Era a puta dela com medo
e vontade de me aleijar.
Era a puta dela;
vadia, louca. Seria eu
a puta dela
como o assobio dos cães.
Era a puta dela só
para estar no casino dos seus
olhos.
Só para sentir
as notas
mais agudas
ao meu ouvido.
Era a puta dela
para sentir os falos que tem nas
mãos.
Era a puta dela,
com o corpo ondolante
e palmas fechadas.
Era a puta dela
para retaliar com a sua
língua inútil
e dar-lhe
- a ela -
dúvidas entre o panico
e o prazer.
como ouvir os pássaros
ao início do dia.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Menstruação
depois da dor passar senti, pela primeira vez, alivio.
decidi ter mais dores físicas, então.
são mais práticas.
deixam mais depressa lembranças. e as lembranças são boas.significa que já passou.
é bom poder-te lembrar e só lembrar.
mesmo quando me pedes demais e eu dou-te demenos.
mesmo quando me pedes demais - e eu quero - e eu dou-te demenos - e não quero -
ó meu homem, não há deus que salve poetas malditos.
mal ditos
decidi ter mais dores físicas, então.
são mais práticas.
deixam mais depressa lembranças. e as lembranças são boas.significa que já passou.
é bom poder-te lembrar e só lembrar.
mesmo quando me pedes demais e eu dou-te demenos.
mesmo quando me pedes demais - e eu quero - e eu dou-te demenos - e não quero -
ó meu homem, não há deus que salve poetas malditos.
mal ditos
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
(mu)dança.

preciso de uma, só para ver se o defeito é meu. se sou eu quem não consegue parar de escrever no diário, ou se são os outros que me fazem escrever tanto.
às vezes, mesmo com caimbras nas mãos, eu escrevo. a caneta tem-me uma fidelidade que eu não pedi. o papel é tão extenso que se perde na linha do horizonte.
Não quero ir para o céu quando morrer, quero ter um rolo de papel higiénico infindável, com tudo o que escrevi. até com os erros ortográficos.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
love will tear us apart

apressa-se apresentações.
No meio da guerra que ficou por declarar estão as explicações de um tempo que foi bem perdido.
está um anjo que não me permite falar sobre os seus olhos.
está uma menina com medo de aranhas.
está uma valquíria profeta.
está uma viajante-não-identificada.
o ar é cada vez mais católico e menos devoto às crenças menores.
se me fosse permitido morrer, acendia um cigarro e ia a fuma-lo pelo caminho.
fomos todas colocadas num sítio errado, na hora certa.
A estória não está acabada mas nós estamos. cansadas e cada vez mais esperançosas de que alguém nos vai alugar.
de que existe uma caixinha de música para cada uma, com uma melodia incessante que nos protege e cultiva.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
rudeboy
"2 a.m. and she calls me cause i'm still awake,
can you help me unravel my latest mistakes
I don't love him, winter just wasn't my season."
És dispensável nalguns dias;
mas não nestes.
nestes que não são maus dias. São piores.
És dispensável, quando tens as mãos no meu peito.
Sim, metade do ano és dispensável; mas hoje não.
can you help me unravel my latest mistakes
I don't love him, winter just wasn't my season."
És dispensável nalguns dias;
mas não nestes.
nestes que não são maus dias. São piores.
És dispensável, quando tens as mãos no meu peito.
Sim, metade do ano és dispensável; mas hoje não.
Mesmo, quero-te bem
Quero-te bem. Mesmo perto, mesmo longe. Mesmo muito, mesmo pouco. Quero-te de qualquer maneira. Por interpretar ou não. Mas não venhas como irmã, porque eu mato por essas, eu volto por essas, eu erro.
Quero-te bem. Junto ao meu peito, como filha. Como eu. Mesmo como uma parte que me foi roubada, -mesmo por mim própria-mesmo peça da minha alma.
Quero-te bem. Mesmo no meio do mal.
Quero-te bem. Junto ao meu peito, como filha. Como eu. Mesmo como uma parte que me foi roubada, -mesmo por mim própria-mesmo peça da minha alma.
Quero-te bem. Mesmo no meio do mal.
sábado, 18 de setembro de 2010
i can't get no satisfaction

eu fumo o cigarro durante o café; tu fumas depois.
tu choras e não me deixas ver; eu choro e tu não sabes.
eu mostro-te sem te deixar ver; tu deixas-me ver sem me mostrares.
tu abres os braços; eu durmo encolhida.
eu enlouqueço; tu respiras fundo.
tu não me conheces; eu sei-te longe.
eu aceito a exaustão; tu negas a verdade.
tu mentes-me; eu omito-te.
eu minto-te; tu omites-me.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
chutar pra' veia
Afoga-te nas minhas novas expressões, enquanto eu colo os olhos no nada. Aprecia-as porque surgiram de ti. De momentos que eu pinto de tons mais agradáveis. Segue de perto uma odisseia que percebes ser tua mas que não a queres. Aproxima-te de nós; vem ver o que escrevi. A tua beleza não me interessa. Os teus olhos de tráfico já não me fascinam.
Sou cocaina pura meu amor.
Sou cocaina pura meu amor.
versão: cupido
Um sopro no ouvido,
uma palavra ardente,
um coração partido,
uma metade infeliz que
precisa de ser completada por uma
alma gemea,
preciso de um chamariz para ter a tua
atenção?
Ou será apenas preciso uma
seta de um cupido para seres a
minha outra
versão?
uma palavra ardente,
um coração partido,
uma metade infeliz que
precisa de ser completada por uma
alma gemea,
preciso de um chamariz para ter a tua
atenção?
Ou será apenas preciso uma
seta de um cupido para seres a
minha outra
versão?
By: Flávio
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
'Life ain't enough for you'
Já tinha a câmara nas mãos; faltavam-te as luzes reaccionárias no rosto. Já tinha o teu corpo nas mãos; faltava-te a coragem para admitires que perdeste e que o suor já escorria na parede. Comecei a ouvir o disco ao fundo da sala. À três dias que era o mesmo, que nenhum de nós tinha paciência para o mudar. As letras são drogas legais, nós ficávamos um a olhar para o outro, impregnados em doses quase letais.
Já tinha a cabeça a latejar; a ti não te faltava nada.
Pensão
chamar-te-ei hospede.
pela mesma razão que me
chamarão assassina.
pela junção de corpos que
incendiará as paredes secas do
meu quarto.
chamar-te-ei hospede
por não ser violação.
chamar-me-ão assassina
por ser eu a invasora.
Vislumbre
Acento-te demasiado bem no corpo. Um encaixe universal, mas que nos fica tão bem. A forma simples dos dois corpos como um só, levada ao seu expoente. Nada é exacto.
Tudo nos encharca de apego, porém sem sempre nos querermos. Paramos num milésimo de segundo para nos vermos, ainda que na ausência de espelhos; então simplesmente nos olhamos.
Eu ainda sou do tempo em que
Encontrei um cigarro teu no meu maço. Queria um cigarro, o meu cigarro, mas em vez disso o teu veio-me à mão. Não era o meu Lucky Strike, mas fumei-o. O primeiro bafo, não travei. Não gosto. Deve ser esse primeiro que me relembra a fatalidade do tabaco. O segundo bafo, reconheci ao sentir as unhas do fumo cravarem-me os pulmões. Reconheci o teu cheiro. Continuei a fumar. Matei-o.
Afinal não era teu, marlboro.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Trivial
trivial, trata-me assim.
sinto-me menos vulgar, menos tua.puta.
trivial, chama-me assim.
Sinto-me menos suja, menos reles, menos devedora.
Trivial, ainda que muito.
mundo miúdinho
Gosto de acreditar que a maior parte das coisas que fazemos são ilegais.
Que estamos constantemente a reprovar nos exames dos outros. Que nem cabemos no mundo.
Gosto de acreditar que existem mais como nós, mas que também se escondem.
Pequenos coelhos brancos raptados na páscoa.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
2º Round
Vamos tentar outra vez. Mas desta sem precipícios à espreita. Sem miragens reais, de pés de poeira assentes no chão.
Vamos tentar dar mais um pouco de que os outros e, um pouco mais do que nos deram a nós.
Vamos por ordem de chegada, escolher as 21 gramas certas, em vez de as escolher por ordem de partida.
O mundo ia acabar ontem.
Madalena
Num mundo mais real que o meu, eles existem.
Ela como princesa.
Ele como testado.
Vivem num sonho que não é o meu, mas que não deixa de o ser.
A aliança, pouco vale, porque bem de longe se mira, dois corpos unidos, sentados no pôr-do-sol.
São um casal igual aos outros, com a pequena diferença de se amarem.

Ela como princesa.
Ele como testado.
Vivem num sonho que não é o meu, mas que não deixa de o ser.
A aliança, pouco vale, porque bem de longe se mira, dois corpos unidos, sentados no pôr-do-sol.
São um casal igual aos outros, com a pequena diferença de se amarem.

São; porque mantêm silêncio sem desconforto.
Na minha terra chamam-se irmãos.
Porque é que te sentes assim?
terça-feira, 27 de julho de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
A estória de uma boneca de trapos

A bonequinha que beneficiava de uma vida estranhamente tocada pela sorte, descobriu que afinal não fazia sentido.
"A cair vive-se."
Ida talvez sem Volta II
Chega-se à frente, com muito medo e muito cuidado.
Estranha, por ser tão parecido com o que tinha visto.
Retrai-se, com a mácula consciência sem vitória sobre um novo dia.
Olha-se ao espelho, menos calada do que precisava.
Reconhece-se, errada.
"Olá, disseram-me para voltar a esta rua."
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Querido sorriso,
Tenho-te a dizer que te vais embora. Que te espero apenas na música de Charlie. Que te espero - sem realmente esperar - cantado. De veias na voz, com uns dentes límpidos ou gastos, na boca de alguém ou de ninguém.
Tenho-te a dizer que na verdade, és uma constante ausente, porém, livre de contradições.
Tenho-te a dizer que te quero para mim e não em mim.
Com amor,
ema
Tia
Já passaram muitos anos e eu, continuo a lembrar-me de que o céu é azul e que as estrelas brilham.
Pouca gente fica à espera.(ele assim escolheu)
Ele espera, numa espera tardia, de um alguém que não chega. Espera a chegada que matará a tal espera. Espera-a numa estação de comboios qualquer.
Espera a espera de outra pessoa, porque assim decidiu viver. Durante um pouco.
Ele- na realidade- espera-a.
A ela.
-
Ela atrasa e prolonga a espera que não lhe pertence.
terça-feira, 22 de junho de 2010

Sabes como te manejo
debaixo da lua crepitante,
em cima da erva ainda húmida.
em cima da erva ainda húmida.
Sabes como saboreio a tua carne de mel
gentilmente dedilhada por anis.
Sabes como a alma me foge
para uma rua desencantada,
Onde só se passa uma vez.
Onde só se passa uma vez.
Mas ela foge-me,
engana-me,
atraiçoa-me.
Sabes como me matas
com cada amor corropio
que nos entra pela porta
como aragem descontente.
Sabes como me lembras
de mim,
num corpo de homem?
terça-feira, 15 de junho de 2010
Passageiro passado
Eu espero que saibas onde vives; que saibas a tua morada. espero que não de esqueças das chaves porque eu perdi as minhas.
Eu espero que tenhas noção que não te ouço; que me perco no tom da tua voz, no movimento das tuas mãos, que explicam o que lês.
Eu espero que me prendas sem sermos únicos um para o outro.
Eu espero que me esperes e me leves para um sítio escondido.
Eu espero-te.
Eu esperava-te.
Eu espero que tenhas noção que não te ouço; que me perco no tom da tua voz, no movimento das tuas mãos, que explicam o que lês.
Eu espero que me prendas sem sermos únicos um para o outro.
Eu espero que me esperes e me leves para um sítio escondido.
Eu espero-te.
Eu esperava-te.
Boa sorte
Quero uma prenda tua.
Um silêncio.
A lembrança do teu sorriso sem saber a tua cara de cor.
Quero uma prenda tua que não seja uma surpresa.
Um cigarro talvez.
Dois, se viciada.
Quero uma prenda tua.
O teu desaparecimento.
Uma pose que se perca numa sessão de sexo indeterminado.
Um homem tão grande como tu ou talvez mais alto.
Um homem que seja esquecido contigo.
Quero uma prenda tua.
Um silêncio.
A lembrança do teu sorriso sem saber a tua cara de cor.
Quero uma prenda tua que não seja uma surpresa.
Um cigarro talvez.
Dois, se viciada.
Quero uma prenda tua.
O teu desaparecimento.
Uma pose que se perca numa sessão de sexo indeterminado.
Um homem tão grande como tu ou talvez mais alto.
Um homem que seja esquecido contigo.
Quero uma prenda tua.
No teu deserto
O teu deserto agora tem mais do que a tua sombra.
Tudo o que leste faz sentido.
A rota dos planetas, na verdade, não interessa desde que tudo permaneça igual.
Para já não há boa sorte.
Tudo o que leste faz sentido.
A rota dos planetas, na verdade, não interessa desde que tudo permaneça igual.
Para já não há boa sorte.
terça-feira, 18 de maio de 2010
A visita
Vem até mim: bem dita, bem olhada, bem cheirada, bem tocada. Lava os panos manchados, que o sangue já está seco e duro. Rega as plantas do jardim, tira-me da cama, veste-me.
Vem, vamos fumar um cigarro.
Vem, vamos fumar um cigarro.
That's not the shape of my heart
A cozinha ficou por limpar, a dispensa por encher, a porta por fechar, a cama por fazer. Ambos partimos, ambos nos deixamos no mesmo momento. (se te dissesse que te amava, achavas que alguma coisa estava errada?) Tudo o que nos sobrou foi o peso na consciência, de deixar; não a dor de ser deixada.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Micaela Soares, quando tristonha

Fui. Fui e não voltei mais. A casa ao longe transmitia-me mais frio que o próprio mar. As ondas gastas, de tanto bater nas rochas, choravam espuma. Eu? Eu ria-me. Ria-me de tanto querer chorar. Não fui só eu a partir; tu também foste. Nunca mais vi o teu rosto descolorado pelo vento que, guardava um sorriso luminoso. Nunca mais senti no peito a falta de ar que me sossegava; o teu corpo.
Foste. Foste e não mais voltaste.
Ui finalmente, passado meia hora
Um poema lindíssimo,
Uma jura que o curto
Espaço
ainda é tardio.
Não vás para tão longe.
Sou eu quem se senta
À tua sombra.
Continuamos a ver mais, olhamos
Não entendo.
Eu também não.
Melhor desistir porque
Entender,
Amaina a paixão.
O desconcerto do mundo,
Também não
Entendo.
Por um lado.
Por esse, nesse
Também nada vejo
Meu amor,
A minha visão pouco baila.
E por muito menos
Vi muito mais.
terça-feira, 23 de março de 2010
for the three of you
Depois do teu nome, depois da massa - a meu ver, espalhada no chão plano - não me resta nada a dizer senão que vivo com poetizas.
Sou uma mulher pequena, rodeada de versos escritos à pressa;
frases bonitas, como lhes gosto de chamar...
ou pedaços destas almas.
A chaga do sorriso

Ouvi dizer que não, que não tinhas nada com a outra pessoa.
Ouvi-me dizer que não tinha nada com isso.
Ouvi-te dizer que era mentira.
Mas sabes, estou cansada de não te ter nem me dar por inteiro. Farta de dizer que não tenho nada por contar. Imaginar-te como um anotador ocorrente de tudo. Mentira, mas não me peças a verdade, porque não vais achar nada bem que desconfie.
Ouvi dizer que não querias filmes.
Ouvi-me dizer que não os faria.
Ouvi-te dizer que não querias vozes excêntricas a falar do que não era real.
Assim sendo sou criança que não entende.
Não preciso que admitas,mas não me ofereças tons na tua voz que me parecem tão pouco credíveis. Posso ser infiel ao mundo, mas não acredito que ainda te vês tão à parte de mim.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Já, incompleto
Já viste o nó na flor,
Nas pétalas dos versos,
Quando o escuro do céu não
Chega.
Já viste o raio que se atrasa
E atrasa o meio dia.
to: micas
Nas pétalas dos versos,
Quando o escuro do céu não
Chega.
Já viste o raio que se atrasa
E atrasa o meio dia.
to: micas
quarta-feira, 17 de março de 2010
3
Brinco caída, sobre a chuva e o mar. - Tatiana Rocha
A cair vive-se. - Micaela Soares
Desisto sofregamente, porque quero fragilizar. - Putas do Diabo
Por uma porta estática com um corpo em movimento
Vocês que possuem a simplicidade de não ter, em troca de não serem de alguém, não admitem o desejo próprio e pelo exterior.
O sexo. A palavra impregnada pela textura áspera da censura, não é? Há palavras que vos são proibidas, assim como o direito ao movimento do corpo. Gostava de vos fazer passar por uma porta estática para vos fazer ver que os fios que prendem as vossas mãos ao chão, não são de ferro mas de lã.
assim...como tu fazes

Preciso de alguma coisa que te anule o cheiro. Não te quero saber por reacções animais de reconhecimento. Já à muito que não me deito no chão esquentado por lágrimas.
Preciso de alguma coisa que te molde o corpo descomposto. Ainda me lembro de olhar o espelho e ver-te, outro.
Preciso de alguma coisa que te possua a voz, que te lamba as palavras e te humidifique o som.
Preciso de alguma coisa que te vigie a alma, porque a expões em quadros escondidos da parede.
Preciso de uma coisa que se assemelhe na carne, assim como tu fazes.
Opiniões opostas
De dentro da carne surge a essência.
De dentro de mim, a dúvida
De ti, o degustar das palavras.
De dentro de mim, a dúvida
De ti, o degustar das palavras.
Palavras
Por vezes gosto delas apenas pelo efeito físico que imprimem no papel, não pela luva de sentimentos que vestimos nelas, nunca pelo aconchego que nos dão.
Por vezes gostas delas por te parecerem flores ou cubos de gelo, por te lembrarem que és mais um homem, pelo aperto no coração que tanto te faz falta.
Para ti são por inteiro,
Para mim são fragmentos.
Simples lama
Gostava. De sentir o teu corpo numa frequência diferente.Sair do ritmo alucinante das radiações e desmanchar-me em sorrisos amenos, apenas preceptíveis aos teus olhos.
Aos teus olhos morenos, manchados de odores característicos de um sinal stop. Sim, vejo na caneta vermelha a distância que emagreces de dia para dia. A dificuldade de uma posição que acolhemos como nossa.
Relato-te. Acerca dos pontos fálicos que tanto me dizem. Que me falam de vez em vez, mas pouco me transmitem senão o desejo esbatido no ardor do estômago.
Aos teus olhos morenos, manchados de odores característicos de um sinal stop. Sim, vejo na caneta vermelha a distância que emagreces de dia para dia. A dificuldade de uma posição que acolhemos como nossa.
Relato-te. Acerca dos pontos fálicos que tanto me dizem. Que me falam de vez em vez, mas pouco me transmitem senão o desejo esbatido no ardor do estômago.
terça-feira, 16 de março de 2010
Uma mão no ombro
A carne nua desperta nos sensações que o mundo lá fora não cheira.
como a lua brilhante no rio,
do céu,
para a montanha.
Não choca o que é demasiado previsível,
demasiado artístico.
como a lua brilhante no rio,
do céu,
para a montanha.
Não choca o que é demasiado previsível,
demasiado artístico.
Al Berto
A beleza de um movimento despertador, um cheiro atracado no porto por uma brisa nula a centímetros do chão.
Os cães ladram por compromissos desnecessários, por paixões platónicas em palavras pintadas a tons de marom.
No momento final, eu fico, enquanto a guarda nem desconfia do encontro. De repente uma sala grande passa a ser uma cave clariada pela luz que entra do chão e do tecto.
Os cães ladram por compromissos desnecessários, por paixões platónicas em palavras pintadas a tons de marom.
No momento final, eu fico, enquanto a guarda nem desconfia do encontro. De repente uma sala grande passa a ser uma cave clariada pela luz que entra do chão e do tecto.
domingo, 14 de março de 2010
Family Portrait
- Temos grau parentesco; devemos ser uma família.
- Há dinheiro, muito bem, senão põem-te daqui para fora que a casa é minha.
- Não se fala de nada, trata-se tudo na sombra.
- Vamos salvar o que é nosso. "Mas ela é tua filha, vai perder tudo!" Não importa, o que é meu já esta safo!
- Não faz mal ter dívidas.
- O que importa é: muitos carros, muitas mulheres, muito álcool, muitas prendas para os meninos e as esposas, para ficarem contentes.
- Se alguém tiver algum problema que o resolva, por aqui ninguém o vai ajudar.
- Tiveste sorte, foste ajudado. Agora paga.
- São todos muito lindos se forem todos médicos.
- Que morram os mais velhos para ver se fica alguma coisa para nós.
Desde pequena que nunca gostei de jogar.
*Este jogo não esta a venda na toys'r'us
Não sei o vosso nome
Não gosto de vocês.
Devia?
Talvez.
Diz num papel qualquer que sou da vossa família.
Não vos conheço.
Não me interesso por vocês.
Não quero o vosso dinheiro.
Não quero apelidos para ter posição na família.
Devia?
Talvez.
Mas quem me garante que não vou receber mais uma surpresa desagradável?
Sou vos tudo, mas só legalmente.
Segredos familiares
Cada vez mostramos mais, como o natal, não fazia sentido. Em troca de prendas para os três meninos, surge uma dívida infindável num nome que é tão próximo que me assusta.
Cada vez mostramos mais, que a vida levada, cheia de putas e álcool, não era a melhor. Que a contradição do vício ainda não foi embora.
Vocês que tanto eram, tanto estavam e tão pouco esperavam. Tão perfeita família, cheia de tolerância secreta e segredos tolerantes. Como era bonito estar à volta do presépio, cheios de prendas caras e tão pouco dinheiro para gastar. Agora acabou... Não há mais prendas, não há mais carros, não há mais putas, não há mais vinho...
Mas há, meu avô, o nome de uma filha manchado num papel oficial com zeros a mais.
sábado, 13 de março de 2010
Gatekeeper
O que és tu senão uma paragem no caminho engarrafado do autocarro? E tanta diferença me fazes, quando te miro parado, à espera de me dares permissão sem cobrares portagem. És um vulto no meio da noite silenciada por assaltos e violações fora do contexto animal. Em prol da paz, o teu corpo não maneja uma única acção para incutir ou travar. Existes mas não é no nosso dia-a-dia apetrechado de imaginações macabras do que vês. És em casa pai? És no quarto marido? Tens a chave do portão ou só o abres quando destrancado?Também beijas a mulher do outro no seguimento suave de respirações controladas, para não fazerem barulho?
sexta-feira, 5 de março de 2010
asterisco
Espero que te sintas confortável numa paisagem que fui eu quem a pintou.
Já esperava que achasses pouco, mas não te tenho mais a nada a dizer.
enjoy
Demasiado tardio para quem queria estar só
Não tenho orgulho na parte de fora do que sou. Por vezes julgo-me um corpo inválido fora do contexto ritmado. Em nada me destaco, para nada sou ou resisto. Não, não desejo ser modelo - já sigo os meus - desejo antes acontecer. Correr para me cansar, ver para sentir, ouvir para ser. Prefiro verbalizar -te para que te sentes comigo numa mesa de café à espera que nos sirvam. Ser tão simples como uma paixão que possa acontecer nas águas furtadas de um hotel nos aliados. Não procuro resistir mais, porém não esperes ver-me ceder.
Demasiado bonito para quem queria estar só
Somos sempre nós o passageiro
Precisava de te abraçar. De sentir que amava e não tinha a carga nos ombros de ser amada. De ser eu nos braços de um alguém, ainda que sem direito.Queria, queria muito ter uma alma sem alma junto a mim. Sem pretextos ilustrativos, sem danças que me fizessem chorar, sem teatro... Queria um passageiro que me olhasse no comboio e que deitasse os pés na paragem seguinte.
Vendo pelo lado de fora, no meu caminho o terreno é lamacento, há pouca luz, muitas pegadas. Há forasteiros e riachos que tão depressa nascem como são engolidos pela terra. Não fazem muito sentido e pouca vida habita na minha. Peço uma alma que não me ame... que apenas se deixe ser amada, para que eu possa ver correrias numa pradaria da cor de tantos cabelos.
Prolongar os meus silêncios enquanto posso, até se fazerem sentir em peles inicialmente sem sensibilidade.
Pentear os meus cabelos até que a ultima madeixa caia.
Apresentar-me indiferente até perceberem que sou eu por trás da cortina.
Chorar ainda que a dor não seja minha.
Negar por mais que a memória não me deixe adormecer.
cair arrepender chorar sofrer sorrir viver ser
amada.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
RCM
"O rio cresceu. Inundou as margens sem nunca porém, abandonar as montanhas. Foi lá baptizado, lá nasceu, ai amou. O rio cresceu e apaixonou-se. Apaixonou-se pelo mar. (...) Depois o rio, cansado de ser parte do mar, olhou para o céu. O reflexo contrário. Reencontrou o perdido, ainda que diferente continuava o mesmo."
EMT
As três gotas secretas, caiem separadas com medo de serem descobertas.
As três gotas secretas, caiem mascaradas de bruxas com medo delas próprias.
As três gotas secretas, não se podem contar.
As três gotas secretas, não mais caiem no chão.
As três gotas secretas, em nada admitem o homem.
As três gotas secretas, dão as mãos em rituais.
As três gotas secretas também precisam de chorar.
As gotas do leito
Mote: Se me serviu para jogar, para saber em quem penso, dará certamente para ti.
Brinco caída, sobre a chuva e o ar.
Gostava, paixão e alma.
A cair vive-se.
Desisto sofregamente, porque quero fragilizar.
mas
Não trepes, não agora. O olhar é uma companhia fora do comum. A ametista dourada é ilusão. O meu ponto de focagem é tu. A caçadora de sonhos sou eu.
Olha agora mas não vejas.
Toca mas não sintas.
Segue mas não venhas.
Chora mas lágrimas não derrames.
Ama mas não digas a ninguém.
( -te )
Demoraste muito tempo a chegar e eu tardei com as chamas sobre o rio cristalizado.
Olhei pela janela do meu quarto mas foi a paisagem da tua janela que predominou.
Não olhar pelos teus olhos, mas ver o que eles vêem.
para: Tatiana Rocha
Opostos que não se atraem
Um fraco,
Forte coração - numa garrafa.
Uma grande,
Pequena sensação - ignorada.
(É amor)
Um escuro,
Claro sentimento - somente
Retido.
Uma mão esvoaçante no vento carnal, junto à minha barriga porque me envergonha.
Na praça pública não te exponho, porque te gosto no privado.
Às vezes não o é.
Outras é tudo o que idealizo e espalho em ti o nada de que tanto falo.
O nada que tanto te dou.
Que tanto te quero.
Minto.
Ás vezes nada te quero... mas
é o nada que te quero sempre dar.
Não é uma passagem
O meu anjo sobre mim, numa escuridão corroída pela luz ofuscante de um farol.
Contrapus o seu desejo com os dentes da minha boca, mas não resultou.
Carreguei então, sacos de lã para que não sentisse a minha pele. Sentiu.
Entreguei-me ao tal anjo que proclamava ser meu.
Segurei-lhe a fantasia e deixei que se despisse. Cai nos lençóis do leito angelical, para reclamar a dominação. Chorei com ele durante, por não o amar. Amei-o depois por nada ter sentido antes.
É a única coisa que ele sabe.
"Temos padre"
Deitei-me consciencializada de que a 5 centímetros de tijolo, jazia estendido o mais impuro dos homens. Ontem apreciei ao longe cada movimento seu e, como eram parecidos com os da noite. A mesma sensação de desejo, escondida naquele olhar ingénuo e cheio de fé no Senhor. A fé que antes tinha no celibato angelical fora morta pela sua boca no meu corpo. Ele transforma-se; perde o nome e a vocação. Nenhum de nós se esquece por um segundo que, a todos, isto parece errado. Pelo menos a mim, é isso que me faz voltar. A ele é a descredibilidade que impõem aos homens, porém tão bem me ama. Não acredita na salvação da pele ou da alma. Só consegue sentir mas, torna-se racional nas explicações bíblicas.
Encaminhei-o para os meus desvios, pois era o único que compreendia os meus silêncios como se estes fossem falados. Também entendia que só estava ali para lhe dar o meu corpo, como que uma oferenda a Deus.
Quando a cruz caiu da parede do seu quarto, ele foi embora.
Normalmente são eles a desflorar.
Fui eu quem desflorou este homem.
Mantive sempre a cruz ao peito.
Nada significou,
Mas sei como gostava de a olhar - ela
Brincava com o símbolo,
Como se o Senhor
A olhasse pelos meus olhos.
Um céu por entre um
Inferno
As aparições às escritoras são muitas. São tudo do que o Universo é feito. Das paragens bruscas ou momentos repentinos. Por vezes não são assimiladas até serem escritas. Talvez reescritas na cabeça. Por vezes culpadas pela fé que lhes foi depositada.
São aparições fora do consciente, onde habitam as verdadeiras palavras das escritoras.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Fez-se pouca luz
É tudo da mesma luz. Mas não, o que dá luz nem tudo revela. Mostra uma verdade, uma ilusão mascarada. Não é mau. é luz. Pim!
Não muda o que se revela neutro, muda o que se revela forte e inalterável.
Não o porquê mas porque existe e é.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Não temos espelhos em casa
Quando te olhas ao espelho, não vês uma única luz. Não me culpas porque quando cheguei já era assim. Onde e como passas as noites, são perpétuas incognitas que nem o meu mais simples olhar faz com que mudem. Como uma corda pela qual lutados mesmo que sem valor. Tu de um lado, eu do outro a tentar dominar... depende da hora. Por vezes caimos e não ligamos aos actos cometidos nos recantos da multidão. Não me pertences, assim como eu não te pertenço. Nem a alma nem o corpo. Por vezes irrito-te, por vezes não aguento o teu toque... é sempre igual, é sempre para todos.
Quando me olho ao espelho, não vejo uma única luz. Não te vejo, nem me vejo a mim.
Já nem me olho.
Quando me olho ao espelho, não vejo uma única luz. Não te vejo, nem me vejo a mim.
Já nem me olho.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Feliz por fim... Micaela
Rituais: Plóxima palagem - libeila
Os rituais são imensos,
São olhares,
Olhados - com medo
De serem tão nossos.
Os rituais dos silêncios,
São sim uma forma de vida - previne
As futuras roturas.
Os rituais nossos,
As avenidas - aliados
E parceiros de um pacto sem sangue.
Um pacto feito por contadoras
De estórias.
Os rituais Meigos
Os rituais Egoístas
Os rituais nossos.
Da micas, para a micas.
Com a micas nos silêncios.
São olhares,
Olhados - com medo
De serem tão nossos.
Os rituais dos silêncios,
São sim uma forma de vida - previne
As futuras roturas.
Os rituais nossos,
As avenidas - aliados
E parceiros de um pacto sem sangue.
Um pacto feito por contadoras
De estórias.
Os rituais Meigos
Os rituais Egoístas
Os rituais nossos.
Da micas, para a micas.
Com a micas nos silêncios.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
É na busca constante dos outros por sentimentos humanos, que eu saceio-o a minha sede.
É verdade, não tenho um único sentimento humano com bases bem fundamentadas. Procurem amor-próprio, afecto por familiares...pouco existe cá dentro.Mas orgulho-me de ser capaz de identificar amor quando me oferecem aos olhos. E é tão bonito, tão esvoaçante, que nem se quisesse o conseguia amordaçar ao meu próprio peito.
Eu perguntei-lhe se era amor? Respondeu-me: "Nem sei bem o que isso é."
Encontrei. Encontrei mais uma vez, o mais glorioso rei, que nos toma a todos como amantes: o amor. Eu disse que o reconhecia. Mesmo escrito, não me passa ao lado uma única palpitação, uma única lágrima, um único sorriso.. Afinal é destas coisas que o tal amor vive, não é?
Eu sabia, os olhinhos cristalizados pelo tal açúcar que o amor trás, o sorriso estampado na cara quando um nome é entoado, a tristeza alheia que passa por nós e resolve ficar...É bom sentir todas as reacções desejadas e as desagradáveis que este marginal nos dá.
Sabes, é bom arriscar...mesmo quando não se tem certezas.
Admito, não arrisco. Não tenho ponta de amor por onde pegar.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Não sei se tu entendes como passa o tempo, não sei se tu próprio és o tempo. Se eu passo contigo ou por ti. Se vivo contigo ou se não aguento um segundo do tique-taque do relógio de parede, sem ti. Serás pradaria verdejante, horizonte das marés e lagos, serás tão irreal como um som visível? Não me passa, nem por perto, a ideia de desvendar o que és. Corro o risco de ser do mundo, uma imagem distorcida, de ser mais uma das poucas que se atreveram a viver sem ti.
E sobre os meus devaneios, vou rompendo sem razão, os medos de me tornar a desprezada do mundo. Devo cair? Tentar focar em mim a parte pesada e negada de cada um deles?
Desta vez a espera foi diferente
Estava toda a gente a olhar para mim.
Não porque de algum modo a beleza fosse atractiva, mas porque estava sozinha no banco.
Se existisses:
O tempo do livro
Não vale a pena continuar a ler se o presente do leitor é agradável e estonteante. Como uma carta de alforria apetecivelmente grátis. Porquê chegar ao fim lacriminoso com findados tão queridos? Assim como preservar a própria vida, se torna possível não querer ver morta a personagem Majestade ou o Mendigo. Diga-se então que ao critério do deleitado, tudo acontece ou, se fecha o livro. E que razão mais filosófica existirá, senão poder guardar viva, só para nós, uma personagem já morta para o mundo? Podemos sim, parar a impressão acabada e reescrever a estória. E o que para mim é passado, para vós presente. O que para mim futuro, a eles passado. Para mim presente, a outros futuro.
Assistir aos demais
E que bela cidade a minha, que depois das festividades, os homens se juntam entre os olhares ao despique das senhoras. Na lógica ancestral das nossas vidas, ainda vale a pena igualar o sombrio desafio dos conjuntos humanos. Ser diferente ou igual, impávido e sereno ou guiar-se pelo escuro em cada canto. Todos espreitam pelos lugares-janelas, onde o destino se vai desfinhando pelos caixilhos. Juntamente à minha pessoa, cada um, um a um, se vão embora sem querer.
Nem a noite se enganava.
Estampei-te a alma, não foi tatiana rocha?

O que nos resta senão as palavras? Senão o poder pegar na caneta e escrever numa base qualquer, as palavras que vierem. Ter a liberdade de escrever sobre os meus rapazes, para os meus homens, das minhas irmãs. É bom então ter como companheiro o caderno lineado, com palavras jovenis e loucuras de mulher. Um diário de bordo infindável, mais uma estória na vida planetar.
Mais livre que um louco letrado, não há.
por outras palavras
Tomaste banho meu amor. Tomaste banho e disseste-me. Tomaste banho e disseste-me porque te agrada que eu saiba. Eu também tomei banho meu amor, mas tu ainda jazias dormindo na tua cama, não na minha. Para tua desgraça, a minha imaginação não foi mais além que o chuveiro e a tua sombra nutrida pelo sol, ambos pintados na cortina branca.
Ainda que húmida, é só uma cortina branca.
(mente) de manhã
Ando a cirandar por tudo o que é mais visível. Lá dentro talvez encontre uma caverna cheia de esqueletos, ou um mar inundado de praias. Depois apagarei as minhas pegadas para que ninguém me encontre. Desaparecida na imensidão da alma humana, é a melhor forma de vida. Mais recatada, mais calma. Que estranha forma esta que me faz crescer, fazer chorar flores ou fazer-me chocar com o mundo do lado de fora da janela. Semeia em mim mais um pouco de egoísmo, um pouco mais da resina que mais tarde fará de mim ambar. É por isto que me refugiu nas pálidas almas, onde o desassossego é rei e a escrita é rainha. E que mártires são eles, quando em tempos de fome, me vêm chegar e me abrem os braços.
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