A minha imensa ideia de que não vais desaparecer, emerge finalmente na verdade. Tu vais, eu fico. Tu tens, eu escondo-me. No final do arco-íris não há nada e tu, nem tens noção do quão igual e diferente me pareces. Mantens-te tão indiferente à injustiça que diáriamente me é feita. Eu odeio-te como te amo, eu odeio-me por te amar. Que raiva tão horrorosa, tão pouco querida a que realmente tenho. Por mais que não queira, por mais que não escreva, desejo-te. Perto de mim, em segredo se possível. Porque nos torna mais fortes, mais crentes que ele nem vai nascer, que por tragédia, a nossa felicidade vai nascer da morte. Sim, que seja essa a raiz do nosso amor. Sim, que me consuma por dentro e te devore por fora. É tão intenso este querer, que não pode ser só meu. O futuro sentimento de culpa vai ser aterrador e, podemos nem sobreviver, mas saberemos até que ponto podemos viver.
domingo, 15 de novembro de 2009
26,o carniceiro
ATENÇÃO: Este texto pode ferir pessoas mais sensíveis, pode fazer sentir o sangue a escorrer do esfaqueamento ou o gelo quebrar durante a violação.
Que és tão homem! No meio dos outros não te destacas, mas no meio das tuas carnes, és o rei.
Que és tão homem! No meio dos outros não te destacas, mas no meio das tuas carnes, és o rei.Não, não passaste por onde eu ainda passo. Não te transcendes e me possuis; eu mutilo-me porque temo o julgamento. Tu, meu herói? Muitlas porque tem de ser. E é tão pefeito.
Deixas-me entrar? Ver todos os nacos de carne que te pertencem. Apresentas-mos? Jubilas no meio deles? Porfavor!
Isto tudo porque estás num nível tão acima de tudo o que tomamos por divinal, porque te venero por tudo o que os outros temem.
Deixa-me viver um filme de terror.
Tranca-me nessa sala carnal, remexe todos os teus objectos cortantes, todas as tuas paixões e abate-me. Jura. Eu prometo que corro, grito, choro baba e ranho e, depois, caiu. Vamos? Imagina-te remexer as minhas entranhas, depois de me beijares com a lâmina mais fria que tens. Depois leva o meu, não, arrasta o meu corpo até onde desejares. É loucura. Deixa-me gelar num sítio qualquer.
Quando estiver bem dura, parte-me as pernas se precisares e viola-me. Que fantasia.
Querer o que os outros têm
E quando não queremos? Quando o mar é demasiado grande, demasiado tardio, que a magnificência nos assusta. Assusta sim, pensar ser dona desse corpo. Copo cheio de verdades que não quero tomar. Trás-me a próxima estação, que eu vou embora. Ouvir-te, nunca mais. É o sentimento de culpa que me elege como rainha, traz-me a coroa e injecta em mim um trapo qualquer a fazer de rei. Desculpa desiludir-te, vou deixar o trono vazio. E o vazio é meu, por querer o que outros têm. Não têm grande coisa. Ele encerrou-se como eu. Escondeu o dedilhar mais cumplicidade dos meus dedos no tronco tão dorido. E o que agora conhecem, é um corpo vazio, sem lembrança de dor. Orgulhem-se públicamente do pouco que têm! Eu tenho tudo! Eu tenho as lembranças do cheiro, da respiração desencontrada que o meu corpo tão trapilho, lhe provocava. Tenho a ausência e a espera. Até a janela me pertence. E de mim, tenho a tentativa desenfriada de me matar, tenho o choque de me perder e de me encontrar.
A única coisa que eles têm a mais é o presente e, isso não me assusta. Posso muda-lo. E se este é o meu fado, não me importa, dou-me bem com a atrocidade da fatalidade do destino. E que senhor destino (!), que ainda me à de trazer o que tanto quero e os outros têm.
No cris, com a tats
A única coisa que eles têm a mais é o presente e, isso não me assusta. Posso muda-lo. E se este é o meu fado, não me importa, dou-me bem com a atrocidade da fatalidade do destino. E que senhor destino (!), que ainda me à de trazer o que tanto quero e os outros têm.
No cris, com a tats
Quando tenho a minha cabeça em ti.
Quando tenho a minha cabeça em ti. Não é justo, no discurso, a minha palavra ser tão subjacente ao que o mundo pensa, ao que diz. Supera-se e depois retrai-se, sem sombra de dúvida. Na verdade, é controversa, é o julgamento que sempre soube que lá estava. E as modas mudam, os ventos correm, a gente continua a povoar e a palavra continua. Quando tenho a minha cabeça em ti, não é nada. O caminho espera saída ou recantos para se esconder, para não admitir que existe, que pode seguir em frente. É difícil, mesmo para mim, julgar algo tão errado. Porque gosto, porque me muda constantemente e me arranca o coração, na mais forte pulsação. Nego ser juíza. Baixo-me, como réu que sou, e recebo o que daqui a algum tempo, seram apenas chagas. Fragmentos de uma história por contar. E nunca escrevo assim, quando insegura de mim mesma. Nunca poso para a fotografia, ciente que a minha alma vai sair estampada na capa da revista. Não me mostro, porque me entraste ilegal no pensamento.Quando tenho a minha cabeça em ti, o fumo não é igual.
a paragem (bruta)
todos me parecem
tão pouco fiáveis,
pouco alma,
tão pouco fado.
é o homem que não me encontra,
sou eu quem não quer.
não, não fujas,
volta.
sê verdadeiro, sê meu,
sê nosso...outra vez.
não provoques o desencontro,
pois é sempre à mesma hora,
não o provoques,
pára.
que a morte é a única
certeza.
se eu pudesse trazer,
a mais escassa mágoa,
ao lugar sol,
onde o ar é nocturno
eu iria num só segundo,
numa só vida.
para poder voltar.
como na tua previsão.
julgas que não sei?
que não te conheço de raiz?
conheço,
conheço todas as leituras dos teus sonhos.
conheço-te.
21, porque amar magoa
Tenho mágoa para dar e vender. Queres? Ou queres querer que não?Não te pergunto os porquês. Só te peço que voltes. Mas não voltes tão de manso, porque eu sinto cada movimento nos lençois. É isso mesmo, volta só para a minha cama. Espera-me fria, dúvidosa, desejosa desse teu prazer. Espera-me revoltada e aceita a primeira negação, mas à segunda arranca-me os cobertores e cobre-me tu. Precisas de mais palavras para descrever a falta de respeito que tenho por ti. Para veres na janela, a evaporação do amor que sentia. Anda lá entra e deixa-a lá fora, que eu juro: não faço barulho. Mas prepara-te desgraçado, porque tu vais querer faze-lo! Tens coragem para saciares a tua sede na mágoa em pessoa. Para te sentires tão culpado, por saberes, que do outro lado da parede, onde tu agora te perdes no limiar do meu corpo e do meu desespero, ela sorri pensando que a amas. Vem viver a odisseia mais antiga: os amantes. Lembras-te? 'Mais do que amigos, amantes...'
Agora vai, estás expulso do meu mundo.
Não me olhes assim, fizeste o mesmo.
Agora vai, estás expulso do meu mundo.
Não me olhes assim, fizeste o mesmo.
sábado, 14 de novembro de 2009
réu na aula de português

Não vivo da aprovação do mundo, mas irrita-me se o bom não é reconhecido. Se as comparações são muitas, se a dúvida da qualidade é grande, se não são respeitadas as palavras mais libertinas. E é bom quando depois de um fracasso, o sucesso é estampado na cara dos negadores. É bom vê-los reconhecer, que afinal, a capacidade de escrever seja o que for e fazer amor com cada leitor, a cada palavra, é grandiosa. Ainda assim, indignados, não esculpem uma única expressão na face 'julguista', tão pálida. Depois formam camaradagem e esperam por mais uma rebaixa textual ou um erro ortográfico. Não vacilam, não param e ainda se desculpam falsamente, reconhecendo aqui e ali a lírica de um zé ninguém. Não lhes chega uma descrição puramente infantil, onde a beleza habita na própria simplicidade. Têm como referências altos autores, com registos altamente estudados e referênciados. Impoiem critérios que deviam ser pessoais e, registam a vermelho a sentença final. E como é feia aquela cor sangue, que mancha cada frase e arranca o orgulho com uma palavra minimizada, sem beleza para ninguém. Ficam felizes por provarem a si mesmos, a sua decapante forma de avaliar, saboriando cada texto como meras notas ou asteríscos no fim do contrato. Mas enganam-se se pensam ganhar a guerra, se é que para eles há guerra. Não aceitam os jovens contemporaneos não reconhecidos e, dislumbram-se com palavras-decrépitas, nas frases tão ilúcidas dos seus preferidos.
Sim, sou rancorosa.
30, São seguimentos de uma verdade inconstante...eu sei, não me negues.
É disto que precisas, porque és homem e eu pecado. Precisas que me sente na pedra mais gélida para sentir a falta do teu calor. Do que imaginamos mas nunca fizemos. Ficas a saber que a minha mente trata-te muito pior do que algum dia o meu corpo poderia tratar. Mas sim, é verdade. É da falta que se escrevem as melhores palavras! E tu, que todas as noites, bebes de mim o mais sagrado dos elixires, não te importas. Usas-me, sem consciência, sem amor próprio. Até ao dia, em que o teu desejo por fim vença. Que a tua ira seja tão grande e me atire contra a parede mais fria. Depois aquecemo-la, sem vergonha, até que o amor nasça.
E em momentos tudo revirou. Tiraste-me a fantasia, tornaste-a em sede por mais. A necessidade de ver o teu rosto, de sentir na minha pele as tuas mãos transpiradas. E eu riu, o riso mais irónico quando te tornas apenas em sexo. Se é mau? Não, não é. Nesta etápa, tudo em ti é bom! Porque és a imagem modelo, do homem mais desejado. E é nestes momentos de desvaneio que te digo as fantasias que me passam pela cabeça. Nelas, não me importo que apenas me ames durante escassos segundos. Nelas, és tu o rei. Não, não te vou servir como escrava! A dor da alma, nestes momentos, também conta. E és tu a raiz.
E em momentos tudo revirou. Tiraste-me a fantasia, tornaste-a em sede por mais. A necessidade de ver o teu rosto, de sentir na minha pele as tuas mãos transpiradas. E eu riu, o riso mais irónico quando te tornas apenas em sexo. Se é mau? Não, não é. Nesta etápa, tudo em ti é bom! Porque és a imagem modelo, do homem mais desejado. E é nestes momentos de desvaneio que te digo as fantasias que me passam pela cabeça. Nelas, não me importo que apenas me ames durante escassos segundos. Nelas, és tu o rei. Não, não te vou servir como escrava! A dor da alma, nestes momentos, também conta. E és tu a raiz.28, Where'd you go? I miss you so.
Vá lá experimenta, não tenhas medo.Não vai ser a ti a dor a tocar. Não vai ser a tua pele a rasgar-se, abrindo ferida. Vá lá experimenta, não tenhas medo. Deita-te na minha cama, une-te com os meus lençóis. Não vai ser o teu sangue que os vai manchar. Vá lá experimenta, não tenhas medo. Durante tanto tempo fizeram chantagem emocional contigo, mais um pouco não faz diferença. Sofrer desta maneira sabe bem. Eu mato-te por dentro, tu matas-me por fora. Espera por este momento tão vivo, vá lá experimenta, não tenhas medo.
Agora até o escuro nos agrada, porque mais uma vez vou-te amar sem que os outros saibam. Sim, que seja na escuridão. Deixa-me sentir o teu corpo, dedada a dedada. Ouvir a respiração do teu ser tão exitado, porque não importa mais ser só amor. Não, as cartas já ficam sozinhas, guardadas, depois que o teu cheiro as deixou. Vá lá experimenta, não tenhas medo. Abusa da minha inocência, porque afinal já o fizeste. Não te é estranho.
À tua beira? Não, não passo dos quinze. Ou talvez sim. Quando te beijo.
Quando te beijava.
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