domingo, 15 de novembro de 2009

Querer o que os outros têm

E quando não queremos? Quando o mar é demasiado grande, demasiado tardio, que a magnificência nos assusta. Assusta sim, pensar ser dona desse corpo. Copo cheio de verdades que não quero tomar. Trás-me a próxima estação, que eu vou embora. Ouvir-te, nunca mais. É o sentimento de culpa que me elege como rainha, traz-me a coroa e injecta em mim um trapo qualquer a fazer de rei. Desculpa desiludir-te, vou deixar o trono vazio. E o vazio é meu, por querer o que outros têm. Não têm grande coisa. Ele encerrou-se como eu. Escondeu o dedilhar mais cumplicidade dos meus dedos no tronco tão dorido. E o que agora conhecem, é um corpo vazio, sem lembrança de dor. Orgulhem-se públicamente do pouco que têm! Eu tenho tudo! Eu tenho as lembranças do cheiro, da respiração desencontrada que o meu corpo tão trapilho, lhe provocava. Tenho a ausência e a espera. Até a janela me pertence. E de mim, tenho a tentativa desenfriada de me matar, tenho o choque de me perder e de me encontrar.
A única coisa que eles têm a mais é o presente e, isso não me assusta. Posso muda-lo. E se este é o meu fado, não me importa, dou-me bem com a atrocidade da fatalidade do destino. E que senhor destino (!), que ainda me à de trazer o que tanto quero e os outros têm.


No cris, com a tats

Sem comentários:

Enviar um comentário