quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

deixem-me sentir todas as manhãs, todas as tardes, todas as noites.
deixem-me senti-lo.
deixem-me senti-lo enquanto - só - toco no meu próprio corpo.
nas minhas facetas.
deixem-me.
que eu vejo um futuro brilhante à minha frente.
e não só o meu brilha,
como brilha o dos outros.
deixem-me senti-lo,
todas as manhãs,
todas as tardes,
todas as noites,
para o resto das nossas vidas

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Boa noite, vai dar-se início ao espectáculo...

como eu gostava que o teu toque viesse só com a respiração.
inspira expira.
abrange-me muito mais a falta de deslocação.
como eu gostava de não sentir mãos em volta do pescoço.

sábado, 15 de janeiro de 2011

recreio

Mais um filho. Mais uma endiabrado que, pintado com patines, dava uma cigana de criança nas mãos, em tons de preto, vermelho e branco. Nem cor de pele tinha.
Que desgostosa seria a imagem de todos os filhos.
E a cigana. A puta.
A apaixonada. A bruta.
E a cigana - por mim - morria.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

"Ao que parece o corpo não se esquece."


não tenho tido muito a dizer nos últimos dias.
a câmara está sem rolo.
as músicas dos mp3 viciaram-se umas nas outras.
já nem posso tirar mais carne dos lábios.
eu sinto-me aparecer e desaparecer em cada pessoa,
como um eco,
como se eu própria fosse a
memória vaga de todos.
não chegará a fotografia em papel ?
a deslocação ao sítio dos outros ?
será egoísta querer recordar toda a gente ?