terça-feira, 22 de junho de 2010


Sabes como te manejo
debaixo da lua crepitante,
em cima da erva ainda húmida.
Sabes como saboreio a tua carne de mel
gentilmente dedilhada por anis.
Sabes como a alma me foge
para uma rua desencantada,
Onde só se passa uma vez.
Mas ela foge-me,
engana-me,
atraiçoa-me.

Sabes como me matas
com cada amor corropio
que nos entra pela porta
como aragem descontente.

Sabes como me lembras
de mim,
num corpo de homem?

terça-feira, 15 de junho de 2010

Passageiro passado

Eu espero que saibas onde vives; que saibas a tua morada. espero que não de esqueças das chaves porque eu perdi as minhas.
Eu espero que tenhas noção que não te ouço; que me perco no tom da tua voz, no movimento das tuas mãos, que explicam o que lês.
Eu espero que me prendas sem sermos únicos um para o outro.
Eu espero que me esperes e me leves para um sítio escondido.
Eu espero-te.
Eu esperava-te.

Sabes o significado de boa sorte?

Traiste-me.
Nunca te quis diferente.
Nunca te quis igual.
Quis-te.

Boa sorte

Quero uma prenda tua.
Um silêncio.
A lembrança do teu sorriso sem saber a tua cara de cor.
Quero uma prenda tua que não seja uma surpresa.
Um cigarro talvez.
Dois, se viciada.
Quero uma prenda tua.
O teu desaparecimento.
Uma pose que se perca numa sessão de sexo indeterminado.
Um homem tão grande como tu ou talvez mais alto.
Um homem que seja esquecido contigo.
Quero uma prenda tua.

Desde menina

Tu sim, podes chamar pelo antigo amor. Cobrar-lhe um novo.

No teu deserto

O teu deserto agora tem mais do que a tua sombra.
Tudo o que leste faz sentido.
A rota dos planetas, na verdade, não interessa desde que tudo permaneça igual.
Para já não há boa sorte.