
Não vivo da aprovação do mundo, mas irrita-me se o bom não é reconhecido. Se as comparações são muitas, se a dúvida da qualidade é grande, se não são respeitadas as palavras mais libertinas. E é bom quando depois de um fracasso, o sucesso é estampado na cara dos negadores. É bom vê-los reconhecer, que afinal, a capacidade de escrever seja o que for e fazer amor com cada leitor, a cada palavra, é grandiosa. Ainda assim, indignados, não esculpem uma única expressão na face 'julguista', tão pálida. Depois formam camaradagem e esperam por mais uma rebaixa textual ou um erro ortográfico. Não vacilam, não param e ainda se desculpam falsamente, reconhecendo aqui e ali a lírica de um zé ninguém. Não lhes chega uma descrição puramente infantil, onde a beleza habita na própria simplicidade. Têm como referências altos autores, com registos altamente estudados e referênciados. Impoiem critérios que deviam ser pessoais e, registam a vermelho a sentença final. E como é feia aquela cor sangue, que mancha cada frase e arranca o orgulho com uma palavra minimizada, sem beleza para ninguém. Ficam felizes por provarem a si mesmos, a sua decapante forma de avaliar, saboriando cada texto como meras notas ou asteríscos no fim do contrato. Mas enganam-se se pensam ganhar a guerra, se é que para eles há guerra. Não aceitam os jovens contemporaneos não reconhecidos e, dislumbram-se com palavras-decrépitas, nas frases tão ilúcidas dos seus preferidos.
Sim, sou rancorosa.
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