Precisava de te abraçar. De sentir que amava e não tinha a carga nos ombros de ser amada. De ser eu nos braços de um alguém, ainda que sem direito.Queria, queria muito ter uma alma sem alma junto a mim. Sem pretextos ilustrativos, sem danças que me fizessem chorar, sem teatro... Queria um passageiro que me olhasse no comboio e que deitasse os pés na paragem seguinte.
Vendo pelo lado de fora, no meu caminho o terreno é lamacento, há pouca luz, muitas pegadas. Há forasteiros e riachos que tão depressa nascem como são engolidos pela terra. Não fazem muito sentido e pouca vida habita na minha. Peço uma alma que não me ame... que apenas se deixe ser amada, para que eu possa ver correrias numa pradaria da cor de tantos cabelos.
Prolongar os meus silêncios enquanto posso, até se fazerem sentir em peles inicialmente sem sensibilidade.
Pentear os meus cabelos até que a ultima madeixa caia.
Apresentar-me indiferente até perceberem que sou eu por trás da cortina.
Chorar ainda que a dor não seja minha.
Negar por mais que a memória não me deixe adormecer.
cair arrepender chorar sofrer sorrir viver ser
amada.
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